Sexta-feira, Maio 18, 2012

Banksy e a beleza de tudo



O anão e a ninfeta


[Finalmente chegou, li numa tacada. Contos mais extensos e um retorno à poética do prosaico e grotesco.]



O nariz

A moça feinha junta com sacrifício o dinheiro de operar o nariz.
Anestesia pouca, dão-lhe outra geral. Sofre parada cardíaca. Entra em coma.
Dias, semanas, meses. Um simples vegetal.
A mãe viúva, à sua cabeceira, chora, geme, reza.
Uma lágrima suspensa na vírgula do nariz.

(p. 51)

Um livro de contos do Patrick Suskind


Patrick Suskind escreveu O perfume, A pomba e o Contrabaixo. Na Carioca, tinha uma feira de livros e descobri este, de contos, na verdade apenas três. "Atração pela profundidade" é o melhor e trata do poder aniquilador de um crítico sobre um artista. 

Mart´nália - Não tente compreender - QUERO


01. Namora Comigo (Paulinho Moska)
02. Surpresa (Mart’nália, Arthur Maia e Djavan)
03. Daquele Jeito (André Carvalho)
04. Depois Cura (Lula Queiroga)
05. Que Pena, que pena (Mombaça e Mart’nália)
06. Não Tente Compreender (Marisa Monte e Dadi)
07. Itinerário (Max Viana)
08. Reversos da Vida (Martinho da Vila)
09. Serei Eu (Ivan Lins, Zélia Duncan e Mart’nália)
10. Eu te Ofereço (Gilberto Gil)
11. Os Sinais (Júnior Almeida)
12. Demorou (Caetano Veloso)
13. Zero Muito (Lula Queiroga)
14. Vai Saber (Adriana Calcanhoto)


Achei AQUI.

Terça-feira, Maio 15, 2012

Amigos que revi nesta ida ao Rio

 Susanna Ventura, na Casa do Estudante - PACC

 Com Janete, no Shopping da Gávea


Weder e Jô, na Fundição Progresso 

 Jô e yo, idem.


No clima do show do Jorge Benjor, na Fundição Progresso. 


Foi fantástico.


Eu e Bruno, na Confeitaria Colombo.

Confeitaria Colombo, no Rio


Dizem que o Machado de Assis a frequentava. Está entre os lugares mais lindos que já fui no Rio de Janeiro. Estive lá na companhia do meu amigo Bruno, tomando chocolate quente e comendo pasteizinhos de belém. 

Tutto Fellini


11/05/2012. Exposição sobre o diretor italiano Federico Fellini no Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro. 

Jogos para Android

Eu praticamente não jogo, mas tenho fascínio pelo designer, pela estrutura e dinâmica dos jogos não importa a plataforma, dos pré-históricos Atari ao Play3 e Xbox. Agora minha paixão são jogos do Android, que são leves, lindos e funcionam maravilhosamente bem no meu tablet baratinho. Este - They need to be fed worlds - é lindo e irresistível.

Chegando

Voo perdido no Rio ontem, chego agora pouco de ônibus depois de viajar de madrugada. Aquela chuva e frio tanto aqui quanto lá. E muitas coisas acontecidas. 

Quinta-feira, Maio 10, 2012

Pausa.

Ando musical e mitológico. Saudades demais de várias pessoas. Vontade de apaixonamento. Não querendo atualmente quem diz me querer. Vontade de viagem. Cheio de livros novos. Subjetivando-me. Cansando também de gente que dá mancada. Ao mesmo tempo, atrasado com a vida. Tudo por fazer neste apartamento que cada dia é menos novo. Mas adorando muito essa vista, essa quietude, esse intervalo para apenas ser. Ambições muito pessoais, materiais na medida exata. Não reclamo de nada. Preocupação com a saúde, minha. Preocupado com a família também, apesar de parecer não. O resto parece ser menos. Contente com resultados de trabalhos imediatos. Quero terminar aquele livro bonito começado. Jogar muito entulho fora. Confiar. Tempo também para coisas bobas como séries americanas e games, desses para Android. O prazer das releituras. Nelson Rodrigues. Borges. E da descoberta. Andréa del Fuego. Azul e dura, da Beatriz Bracher. Veja só. Querendo só isso, leveza. E ambicionando estabilidade. Empenhadíssimo em estudar Inglês. Acredita? Pois. Aquele prazer de ler e contar histórias em voz alta para gente. Coisas assim, como uma pausa.



Choro bandido


Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
Serão bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas
Os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas
Quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira
Que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas
E os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim:
Você nasceu para mim
Você nasceu para mim

Mesmo que você feche os ouvidos
E as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego
Com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim
Por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos
Podem ver na escuridão
E eis que, menos sábios do que antes
Os seus lábios ofegantes
Hão de se entregar assim:
Me leve até o fim
Me leve até o fim

Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa
São bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons

Chico Buarque de Holanda

RAPTO


Se uma águia fende os ares e arrebata
esse que é uma forma pura e que é suspiro
de terrenas delícias combinadas;
e se essa forma pura, degradando-se,
mais perfeita se eleva, pois atinge
a tortura do embate, no arremate
de uma exaustão suavíssima, tributo
com que se paga o vôo mais cortante;
se, por amor de uma ave, ei-la recusa
o pasto natural aberto aos homens,
e pela via hermética e defesa
vai demandando o cândido alimento
que a alma faminta implora até o extremo;
se esses raptos terríveis se repetem
já nos campos e já pelas noturnas
portas de pérola dúbia das boates;
e se há no beijo estéril um soluço
esquivo e refolhado, cinza em núpcias,
e tudo é triste sob o céu flamante
(que o pecado cristão, ora jungido
ao mistério pagão, mais o alanceia),
baixemos nossos olhos ao desígnio
da natureza ambígua e reticente:
ela tece, dobrando-lhe o amargor,
outra forma de amar no acerbo amor.

Carlos Drummond de Andrade


Zeus e seu amante Ganimedes

Quarta-feira, Maio 09, 2012

A morte de um professor

Nunca tive aula com ele, mas tinha uma admiração imensa pois ele mudou minha forma de escrever e deu sentido para esse ato que é escrever ensaios, por causa de um texto "Os caminhos do desejo". Depois, saiu uma matéria linda na SERAFINA de antigos alunos que falavam sobre ele, sua erudição combinada com espontaneidade e a expressividade poética das aulas. Então ele é o cara que tocou tanta gente, o Mestre, o Professor. Admirável Flávio Di Giorge, magnífico. Descanse e fique seu lindo.